sexta-feira, 23 de outubro de 2009

NORMALISTA & PROFESSORINHA

Bons tempos! Turma animada. Professores (as) dedicados, ensinado a ensinar.
Era a Escola Normal ou o Magistério, onde jovens procuravam, em três anos de estudos específicos, formar-se no Magistério.
Ser Professor(a) do ensino primário era uma profissão considerada nobre.
Os mestres representavam modelos a serem seguidos e imitados, pois inspiravam respeito e admiração.
Além das disciplinas básicas de Português, Geografia, História, Ciências, estudava-se Pedagogia, História da Educação, Sociologia, Psicologia Educacional, Biologia Educacional (incluindo o diagnóstico das principais doenças e primeiros socorros), Economia Doméstica e Trabalhos Manuais, além de Puericultura; também fazia parte do aprendizado do futuro professor primário, a música (canto e regência), desenho, jogos etc. Em especial estudava-se Didática e Prática de Ensino que incluíam aulas práticas em classes modelo rural com quatro turmas diferentes em uma só sala.
Assim, jovens rapazes e moças, ao completar 18 anos, estavam aptos a assumir não só a responsabilidade de alfabetizar mas também de dar prosseguimento a diferentes turmas ao mesmo tempo numa única sala de aula. Tudo sem as modernidades da atualidade, mas com bons resultados. As crianças aprendiam. Queriam aprender. E a "professorinha" tinha orgulho de ensinar, pegar na mão, ajudar nas primeiras letras, cantar a tabuada e a conjugação de verbos, fazer continhas "de cabeça"vigiando para que as crianças não se acostumassem a "contar nos dedos".... contar estórias, fazer teatrinho... Tudo muito simples e natural.
Havia alunos mais inteligentes; outros nem tanto. A própria criança era incentivada a ser independente, conhecer seus limites, e sem traumas caminhar no aprendizado sem cobranças.
Acabaram com a Escola Normal - o Magistério. Desvalorizaram a profissão. Legislações cheias de boas intenções destruiram o respeito que havia entre aluno-professor.
Curso superior para professores até das creches!!! A Universidade é para abrir horizonte e indicar caminhos. O profissional das diferentes áreas precisa de uma orientação específica. O profissional da área de educação é quem ensina a todos os outros.
Não me venham falar em necessidade de modernidades que apenas sobrecarregam as crianças com uma dispersividade de material didático perfeitamente dispensável. O material didático mais importante ainda é a vontade de aprender. Sem ele o processo de aprendizado jamais se concretizará.
Só fico a pensar num "apagão" geral num dia qualquer de um futuro não muito remoto. Ninguém vai saber como realizar a tarefa educativa!!!
Uma "professorinha" da antiga Escola Normal tenho certeza que saberia dar continuidade ao aprendizado mesmo no escuro.
Em 15 de outubro comemorou-se o Dia do Professor. Aproveito para enviar a todos os colegas e ex-professores com quem tivemos a satisfação de conviver e aprender, um grande e saudoso abraço.